Eu, como muitos Portugueses, tenho algumas dúvidas em como direccionar o meu voto no dia 5 de Junho! Mais à esquerda, um bocadinho menos à esquerda ou um pouco mais à direita?Certeza tenho uma! Não voto em nenhum dos dois grandes partidos! Vejo neles os grandes responsáveis pela débil situação económica e financeira em que o país se afundou, até porque não sou daqueles que responsabiliza apenas o último primeiro ministro! Não! Isto vem de há muito. Podemos dizer que vem desde meados dos anos 80, aquando da adesão à União Europeia. Começou a entrar dinheiro atrás de dinheiro e ninguém se lembrou que mais tarde teria de se devolver, e com juros, mas toda a gente se lembrou de esbanjar! Os responsáveis por estas políticas de esbanjamento? Mário Soares, Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates.
O meu pai é "militar de Abril". Em Abril de 1974 ainda se encontrava em missão no Ultramar, mas participou em diversas acções directamente ligadas à revolução que se iniciava em Portugal. Tendo ele sofrido na pele as consequências da mão pesada do Estado Novo, fez questão de me transmitir diversos valores que, ainda hoje, conservo como um dos mais preciosos bens que possuo!
Com o passar dos anos fui ganhando consciência política. Ganhei uma espécie de aversão aos partidos de direita pelo simples facto de associar esses partidos a um regime que não queria para mim! Criei em Karl Marx, não necessariamente um "deus", mas uma espécie de guia ideológico! Não concordei com tudo, é um facto, mas segui uma linha, que eu próprio defini, que se baseava, em muito, nos ideais socialistas de finais do séc. XIX, inícios do séc. XX.
Com 14 ou 15 anos fiz-me militante da JS e, mais tarde, com 18, militante do PS. Abandonei ambas as militâncias por razões profissionais mas... E se não fizesse o que faço hoje? Se não tivesse sido obrigado a sair dos partidos? Teria, mais tarde e com toda a certeza, abandonado essas militâncias também! Como já referi, defini um trajecto com base numa ideologia que o partido que a representava "meteu na gaveta" enquanto virava à direita, no sentido daquelas ideologias que eu abominava "desde pequenino"!
Ir mais à esquerda ainda? Já o fiz, mas concluí que dali apenas vêm políticas de bota-abaixismo e nada de soluções. Como no Pingo Doce: ZERO!
Em consequência criei em mim um espírito totalmente apartidário e quase que anarquista. Interesso-me pela actualidade política, económica e financeira do país e vejo nas questões sociais a grande prioridade que (qualquer que seja) o governo que aí vem deve tomar. No entanto não suporto as caras que vejo diariamente na televisão! Não suporto o candidato do PS nem o do PSD! Não vejo nos candidatos pelos restantes partidos com assento parlamentar soluções válidas para prender a corda que nos ajude a sair deste poço onde nos fizeram cair. Soluções? Procurar nos partidos sem representação no parlamento uma alternativa também não me parece que funcione! Assim, direccionarei o meu voto, independentemente da cor política que represente, para quem se proponha, no mínimo, a:
- Acabar com as chulices que são estas PPP's (Parcerias Publico-Privadas);
- Impor um tecto máximo aos ordenados auferidos por governantes, assessores, gestores e toda essa escumalha egoísta que só olha para os seus umbigos;
- Levar a votação uma proposta de alteração constitucional para que seja reduzido drasticamente o n.º de deputados que vão para o plenário ler o jornalinho em formato digital nos computadores que os contribuintes pagaram;
- Negociar com a equipa do FMI que está em Portugal a solução começando pelos senhores que estão "lá em cima" e não por nós, que pagamos sempre as borradas dos outros;
- Ter a coragem suficiente para fazer frente aos "grandes senhores da Europa" e, se for preciso, fazer como na Islândia: "Meus amigos, nós devemos sim senhor, mas pagamos quando isto estiver direito ou então quando nos apetecer!".
Concluindo, obterá o meu voto quem demonstrar ter tomates para resolver esta crise penalizando os seus responsáveis (o grande capital) e não quem já sofre com ela há muito tempo! Até agora não vejo solução para este problema e se todas estas dúvidas se mantiverem no dia 5 de Junho, então meus amigos, farei como disse o Dr. Marinho Pinto: uma greve à democracia!
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